Muito além das consequências legais, o atraso no salário ou crédito de benefícios pode se tornar um verdadeiro obstáculo para crescimento de um negócio.

Esse erro de gestão afeta a motivação dos colaboradores e, consequentemente, reduz a produtividade dos seus serviços.

Confira os principais riscos dessa prática e aprenda algumas dicas importantes para evitar o problema. Vamos lá?

1. Minimizar os riscos jurídicos

A empresa que descumpre suas obrigações está exposta a processos e punições dos órgãos de fiscalização. Não só o trabalhador poderá exigir os valores devidos em uma ação judicial, como o atraso pode dar início a um dissídio coletivo.

Veja as principais consequências jurídicas:

Rescisão indireta

O atraso contínuo de salários e outros benefícios (vale-transporte, refeição etc.) pode tornar a situação do colaborador insustentável, a ponto de permitir sua saída com o recebimento de todas as verbas rescisórias.

A chamada rescisão indireta dependerá do sucesso de uma demanda judicial, justificada no constante descumprimento das obrigações.

Indenização por dano moral e material

Os atrasos no salário ou nos créditos podem ocasionar uma série de problemas para o trabalhador, como não conseguir cumprir suas obrigações pessoais, perder bens, ter o nome negativado junto ao SPC etc.

Sendo assim, a empresa pode ser condenada a pagar uma quantia suficiente para reparar ou compensar o prejuízo, seja ele material ou moral.

Multa do Ministério do Trabalho

O Ministério do Trabalho é o órgão público responsável por fiscalizar o cumprimento das normas trabalhistas. Entre suas atribuições, está a possibilidade de multar os empregadores que descumprem suas obrigações.

Em caso de atraso, o valor da multa, atualmente, pode chegar a cerca de R$170,00 reais por empregado prejudicado.

Multa da justiça do trabalho

A punição pelos atrasos constantes também pode vir da justiça do trabalho em um dissídio coletivo.

Além da correção monetária, os juízes aplicam uma multa de até 10% sobre o saldo de salário em atrasos de até 20 dias, acrescidos de 5% por dia, no período subsequente.

2. Manter os colaboradores motivados

O trabalhador realiza seu planejamento financeiro e assume uma série de obrigações com base na data de vencimento de sua remuneração. Logo, os atrasos quebram uma expectativa legítima e afetam a motivação.

Isso ocorre por diversas causas:

  • quebra de confiança;

  • perda dos incentivos para prestar um serviço de qualidade;

  • constrangimento perante terceiros;

  • sensação de injustiça e falta de reconhecimento;

  • entre outros.

Nesse sentido, quando o trabalhador não recebe o combinado, é natural que seu engajamento com os objetivos do negócio sejam praticamente nulos.

Assim, com o passar do tempo, a falta de motivação conduzirá a uma queda de produtividade e, principalmente, de contribuição com as metas da empresa.

3. Reduzir o turnover

O aumento da rotatividade de colaboradores é outra consequência do atraso nos pagamentos. É que o caminho mais simples para um profissional insatisfeito é buscar um empregador que ofereça melhores condições.

Assim, a retenção de talentos fica severamente prejudicada, uma vez que os profissionais com maior mercado serão os primeiros a mudarem de empresa.

Por fim, o turnover conduz, ainda, a um sensível aumento das despesas com recrutamento, treinamento e dispensa de funcionários.

4. Evitar prejuízos

Os problemas do atraso no salário afetam a própria rentabilidade do negócio, seja aumentando seus custos, seja reduzindo sua produtividade.

Por isso, o ideal é que a empresa adote práticas positivas de gestão. Alguns bons exemplos são os seguintes:

Com esses cuidados, o gestor evitará problemas com atrasos no salário ou crédito de benefícios e manterá a saúde financeira do negócio.

Para entender um pouco mais sobre os deveres da empresa, visite nosso texto sobre os direitos garantidos ao trabalhador e entenda as principais obrigações do contratante.